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Atos em todo o país

Correio Braziliense - 21 de novembro de 2006

    As comemorações pelo Dia da Consciência Negra levaram milhares de pessoas às ruas, ontem, de norte a sul do país. Na Avenida Paulista, região central de São Paulo, aproximadamente 12 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram de uma marcha. A concentração começou ao meio-dia no vão livre do Masp e, no final da tarde, os manifestantes estavam reunidos no estacionamento do prédio da Assembléia Legislativa. Ao menos 224 cidades no país comemoram o Dia da Consciência Negra com feriado.

    No Rio de Janeiro, cerca de 250 pessoas, entre religiosos, estudantes, políticos e integrantes de movimentos afro, festejaram a data junto ao monumento de Zumbi dos Palmares, no centro da cidade. Os discursos destacaram conquistas e também dificuldades pelas quais negros ainda passam no Brasil.

    O governador eleito, Sérgio Cabral Filho (PMDB), lembrou que a lei que estabeleceu cotas raciais nas universidades estaduais foi aprovada em 2001, quando ele era presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele se comprometeu a governar de modo a promover “oportunidades iguais na educação e no trabalho” para todos. O ex-deputado Carlos Alberto Oliveira, mais conhecido como “Caó”, autor da lei que instituiu que o racismo é crime inafiançável, lembrou que, desde 1989, quando a legislação passou a vigorar, muitas ações se embasaram nela. “É uma continuidade à luta iniciada por Zumbi”, disse.

    Em Salvador, cerca de 15 mil pessoas estiveram na 27ª Marcha Zumbi dos Palmares, no bairro do Campo Grande. Um assunto dominou as conversas dos manifestantes: a pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na sexta-feira, que apontou a grande diferença nos rendimentos entre negros e brancos no Brasil, cerca de duas vezes.

    Na Região Metropolitana de Salvador, onde existe a maior proporção de população negra (pretos e pardos) do Brasil (82,1%), a diferença é ainda maior que a média: os brancos ganham, por mês, quase três vezes mais que os negros.



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