Brasil é 67º no ranking de igualdade entre sexos
Correio Braziliense - 22 de novembro de 2006 - País exibiu fraca atuação nas áreas de educação e política, segundo estudo do Fórum Econômico Mundial. Suécia teve melhores índices
Por Rodrigo Craveiro
O Brasil ocupa a 67ª colocação no ranking da igualdade entre gêneros, com 0,654 pontos, atrás de Nicarágua (62º), Gana (58º), Uganda (48º) e Sri Lanka (13º). A escala varia de zero (desigualdade) a um (igualdade). No ano passado, o Brasil foi o 51º entre 58 nações avaliadas. Divulgado ontem pelo Fórum Econômico Mundial, o Relatório de Distância de Gênero analisa 115 nações e traz um dado alarmante: nenhum país conseguiu estabelecer as mesmas condições para homens e mulheres em áreas como educação, saúde, emprego e política.
As nações nórdicas — Suécia (1º), Noruega (2º), Finlândia (3º) e Islândia (4º) — detêm os melhores índices de igualdade entre os sexos. Famosos como o território das liberdades e da democracia, os Estados Unidos aparecem apenas em 22º lugar. Na outra ponta do ranking, com a fama de serem os locais onde a parcela feminina da população está longe de possuir os mesmos direitos da masculina, estão os muçulmanos Arábia Saudita e Iêmen.
O Índice Global da Distância entre Gêneros é medido com base em quatro áreas críticas de desigualdade: participação econômica e oportunidades, capacitação educacional, prestígio político e saúde. As mulheres das 115 nações analisadas pelo Relatório de Distância de Gênero — que abrangem 90% da população mundial — têm apenas 15% de representatividade política.
Segundo o documento, Brasil e México (75º) mantêm fracas atuações. “Ambos estão entre os 34 países que dividem uma colocação no topo, na categoria da saúde. Mas enquanto o Brasil está sendo empurrado para baixo, por causa da pobre performance na capacitação educacional (72º) e na representatividade política (86º), o México fica atrás na participação econômica das mulheres (98º)”, explicou o relatório. Os autores do documento — incluindo professores da Escola de Economia da Universidade de Harvard e da Escola de Negócios de Londres — destacaram os perfis das nações avaliadas.
Em entrevista ao Correio, Fiona Greig, do Centro para Desenvolvimento Internacional de Harvard, afirmou que o Brasil está abaixo da média em relação ao resto do mundo. “O país está apenas 65% no caminho para a igualdade sexual nas áreas de economia, política, educação e saúde. Como ficou na 67ª colocação, só obteve melhores resultados que 42% dos outros países analisados”, disse a co-autora do relatório. “O governo brasileiro poderia promulgar leis mais fortes em relação à discriminação salarial. Também sugiro o financiamento de programas para encorajar as mulheres a entrarem na política”, recomendou. O Brasil ocupa o 63º posto na categoria participação econômica e oportunidade para as mulheres; e o 1º em saúde.
Democracia
A Suécia é o único país onde homens e mulheres formam números iguais de ministros e parlamentares. Na Finlândia, Islândia, Noruega e Dinamarca, elas ocupam um terço dos assentos do Parlamento e dos ministérios. Os nórdicos também foram os líderes na área da participação econômica. As mulheres são a maioria nos postos de trabalho técnicos e profissionais, e representam pelo menos um terço dos legisladores, autoridades do governo e gerentes em todos os cinco países da região.
“Pela primeira vez a sensação que muitos de nós temos é apoiada por estatísticas”, comemorou a advogada Cherie Booth, mulher do premiê britânico, Tony Blair. “De maneira nenhuma a distância entre homens e mulheres foi eliminada”, alertou, durante o lançamento do ranking. O relatório revela que a desigualdade no que diz respeito a saúde é muito pequena — a variação para os 115 países é de 0,9796 a 0,9227. As Filipinas foram a surpresa do estudo: conseguiram boas notas em todos os quesitos e aparecem na lista dos cinco a diminuírem a desigualdade na saúde e na educação. República Dominicana, França, Honduras e Lesoto são os outros países.


