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Denúncia de escravidão

Correio do Estado - 18 de novembro de 2006

Por Karine Cortez

    Trabalhadores de uma carvoaria localizada no município de Aquidauana denunciaram abandono por parte da empresa Cia. Siderúrgica Lagoa da Prata (MG). Pelo menos 23 homens com idade entre 21 e 50 anos encontram-se em condições subhmanas, sem água potável, alojamentos precários onde não há camas, não possuem carteira assinada e estão sem receber salários desde o mês de junho, conforme queixa formalizada no posto de atendimento da Delegacia Regional do Trabalho de Mato Grosso do Sul (DRT/MS) daquele município no último dia 9.

    A denúncia também foi protocolada no Ministério Público do Trabalho (MPT/MS) por um dos representantes da empresa, Lourimar Gomes da Silva, cujo processo está sendo conduzido pela procuradora do trabalho Simone Beatriz Assis de Rezende. Além da situação degradante em que estão vivendo os trabalhadores, Lourimar denuncia ainda como ação de má-fé o contrato firmado com a siderúrgica em seu nome. No documento, ele alega que foi informado por Marcelo de Faria Peito, representante da carvoaria no Estado, de que havia necessidade de abrir firma para negociar o carvão.

    O trabalhador Gilberto Araújo dos Santos disse que, dos 23 funcionários, restam apenas 17 porque os demais conseguiram dinheiro com familiares e retornaram para sua cidade de origem, que é Uberlândia/MG. "Estamos sem saber o que fazer, porque do mesmo açude que bebemos água, tomamos banho e lavamos nossas roupas. Quando falo com minha mãe, ela chora e pede para que eu vá embora, mas como vou se não tenho dinheiro? ", questionou Gilberto.

    A procuradora disse que uma audiência de esclarecimento está marcada para a próxima terça-feira. "Primeiro vamos tentar entender o que aconteceu, mas se nenhum representante da empresa comparecer à audiência, poderei requisitar uma inspeção no local", enfatizou Simone.


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