Diálogo pode prevenir a erotização infantil
Correio do Povo - 28 de novembro de 2006
A campanha contra a erotização infantil desenvolvida por 32 instituições - encabeçada pela Associação dos Juízes do Estado e pelo Ministério Público - levou orientações ontem a professores e alunos da Capital. O titular da 3ª Vara do Juizado da Infância e da Juventude da Capital, juiz Leoberto Brancher, idealizador do projeto, abordou as conseqüências negativas da sexualidade precoce e as formas de evitá-la.
A palestra, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, foi acompanhada pelas escolas São Pedro e Rio de Janeiro e por dirigentes de instituições ligadas ao público-alvo da campanha. Brancher afirmou que a legislação e o Estatuto da Criança e do Adolescente tentam evitar os casos de violência através de abordagem punitiva, que tende à desresponsabilização. A campanha, por outro lado, propõe estabelecer o diálogo como forma de prevenção.
A presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente, Maristela Maffei (PSB), destacou a relevância da discussão para que a infância não seja abreviada. 'A erotização da criança prejudica na formação do adulto', frisou. Para ela, a sexualidade precoce favorece casos de gravidez em adolescentes e a contaminação de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a Aids.
O diretor do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) da Polícia Civil, Paulo de Tarso Castro Araújo, relatou ser comum o atendimento de ocorrências decorrentes de erotização infantil e abuso sexual. 'A maior parte tem familiares envolvidos', disse. O material da campanha já foi enviado a escolas da Capital para estimular o debate do tema.


