Direitos fundamentais dos homens inspiram produções
Jornal do Brasil - 16 de novembro de 2006 - Declaração Universal dos Direitos Humanos faz 58 anos e governo realiza mostra
O primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos garante que "todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade". O documento que é considerado um divisor de águas no campo da defesa dos direitos fundamentais do homem está completando 58 anos de idade dia 10 de dezembro. Por isso, de 1° a 17 de dezembro, os direitos humanos estarão em foco no Brasil. Vários eventos irão reafirmar a importância de tratar de direitos fundamentais, como a igualdade, a liberdade, a dignidade. O anúncio foi feito ontem pelo ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.
Para começar, quatro cidades brasileiras receberão a Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que tem curadoria de Amir Labaki e reúne 28 produções realizadas no Brasil e demais países da América do Sul, a partir do ano de 2003. São todos filmes inéditos comercialmente no Brasil e poderão ser vistos com entrada franca. Mas a ocasião contará ainda com o anúncio dos premiados pelo Prêmio Direitos Humanos 2006, que este ano homenageia a missionária norte-americana Dorothy Stang, e com a realização, em Brasília, da VI Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos do Mercosul. O Brasil sediará a reunião por ter assumido, no segundo semestre, a Presidência Pro Tempore do Mercosul.
A mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul acontecerá, simultaneamente, em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Recife. Em Brasília, ela abre para convidados no dia 5, em sessão no Palácio do Itamaraty, e prossegue, de 6 a 11, no Cine Academia.
Com realização da Cinemateca Brasileira, serão exibidos filmês feitos no Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela e também no México, por realizadores de origem sul-americana e também duas produções mexicanas convidadas. Entre longas e curtas-metragens, os filmes têm como foco a questão dos direitos humanos em toda sua abrangência: crianças, vítimas de violência, discriminados, idosos, homossexuais, migrantes, prisioneiros, etc.
Segundo o ministro Paulo de Tarso Vannuchi, uma das idéias é que a mostra incentive a produção de mais filmes os direitos humanos. - Esta mostra pode se converter num marco para a integração sul-americana, alimentar a produção de mais filmes inspirados nos direitos humanos e criar novos conceitos a respeito do tema - diz o ministro. Dentre as produções que integram a mostra, entre outros, estão Hotel Gondolin, um documentário de 2005, assinado pelo argentino Fernando López Escrivá, sobre uma comunidade de travestis que não aceita nenhum tipo de marginalização; o brasileiro o homem Invisível, de Andréa Velloso, uma abordagem como certos trabalhadores vivem invisíveis socialmente, varrendo, limpando banheiros ou mesmo sendo vigias; Lo que Me Drga La Vida, da urugnain Isabel Alvarez, que acompanha três meses de férias de um grupo de amigos adolescentes para os quais o futuro está muito distante.


