Ministério vai acionar Polícia Federal e Interpol contra o tráfico de crianças
Correio da Paraíba - 04 de novembro de 2006
Por Paula Brito
Uma denúncia recebida semana passada pelo Ministério Público e Conselho Tutelar Leste, vai colocar na mira da Interpol, o português Joaquim Sousa, acusado de comprar três crianças de Galante e Queimadas, com sua esposa, a paraibana, Kelly Samara.
Segundo o conselheiro tutelar Walmir Nascimento, o denunciante disse que as crianças estariam sendo usadas na realização de uma série de exames de compatibilidade para favorecer o filho doente de Joaquim, um menino de cinco ou sete anos de idade. Esse seria o motivo do interesse dele em adotar ou comprar tantas crianças. O Promotor Herbert Targino vai solicitar a Polícia Federal, que encaminhe à Interpol o pedido de investigação sobre o caso.
“Queremos saber se o português tem realmente esse filho doente, e principalmente se ele está usando crianças para fazer exames. Se a informação for verdadeira, este é um fato gravíssimo e as providências precisam ser tomadas com urgência”, disse Herbert.
Segundo Walmir, o denunciante disse que conhece Luiza de Marilac, acusada de intermediar a venda das crianças ao português. “Ele chegou a afirmar que a própria Luiza teria emprestado uma filha dela para fazer os exames. Segundo ele, a menina passou cerca de 70 dias na casa do português, em João Pessoa e retornou à Campina Grande porque não seria compatível com o filho dele”, disse Walmir.
Diante dos fatos novos, o Conselho Tutelar vai ouvir novamente Luiza. O MP também vai encaminhar a denúncia à Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Infância e Juventude, que investiga o caso. Dessa forma, Luiza deve prestar depoimento novamente na Polícia Civil.
Pai encontra filha vendida
Ontem, Walmir foi até à cidade de Serra Branca, onde está morando a menina de dois meses do distrito de Galante, vendida por R$ 50,00 pela avó, sem o consentimento dos pais da criança. O pai do bebê, que não teve o nome divulgado, acompanhou o conselheiro durante a visita à residência do casal do Rio de Janeiro, acusado de comprar o bebê. “Quando chegamos a Serra Branca, descobrimos que o casal já deu entrada no processo de adoção da criança e por isso, a menina só pode ser devolvida aos pais, com a autorização da juíza do município. O pai do bebê ficou emocionado com o encontro e queria trazê-lo de volta à Campina Grande, mas teremos que esperar a decisão da Justiça”, explicou Walmir.
Na próxima terça-feira, Walmir vai encaminhar à juíza, o relatório contendo todas as informações apuradas pelo Conselho Tutelar Leste sobre a venda da criança. “Depois de ler o documento e se inteirar da situação é que a juíza pode tomar uma decisão. Por enquanto, teremos que aguardar”, disse Walmir. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Infância e Juventude, a pedido do MP. Segundo as apurações do Conselho Tutelar, a venda da criança foi intermediada por um enfermeiro campinense, que ficou sabendo através da sogra, do interesse da mulher em vender a neta. O enfermeiro confessou que pagou os R$ 50,00 a avó do bebê.
A mãe do bebê é uma adolescente de 18 anos, que foi expulsa de casa pelo padrasto. Ela está na Casa da Mulher, em Campina Grande, onde se trata de depressão pós-parto.


